Módulo 07 — Referência
Glossário Forense
Referência rápida dos termos técnicos que aparecem nos módulos da Academia e nos laudos periciais. Cada verbete apresenta o significado e um exemplo concreto.
Termos A – Z
Assistente técnico
O que é: perito contratado por uma das partes do processo para revisar laudos oficiais ou produzir pareceres independentes.
Exemplo: a empresa acusada de fraude contrata um assistente técnico para contestar o laudo oficial apresentado pela acusação.
C2PA
O que é: padrão aberto que embute em imagens e vídeos um manifesto criptograficamente assinado com informações sobre como e onde o conteúdo foi criado.
Exemplo: uma imagem do Adobe Firefly traz no manifesto C2PA aiAsserted: true com assinatura válida — qualquer laboratório lê o mesmo resultado.
Cadeia de custódia
O que é: registro cronológico e documentado de quem coletou, transportou e teve acesso a um vestígio em cada etapa, do achado ao processo.
Exemplo: um arquivo exportado do WhatsApp com hash SHA-256 calculado antes de ser enviado ao juízo tem cadeia de custódia preservada; o mesmo arquivo sem registro pode ser contestado.
Carimbo de tempo
O que é: registro emitido por autoridade certificadora que vincula um hash a um instante preciso, provando que o conteúdo existia naquele momento.
Exemplo: um contrato com carimbo de tempo prova que foi assinado antes de uma data disputada, independentemente do envelhecimento do algoritmo de assinatura.
Clonagem de voz
O que é: síntese de áudio por IA que imita a voz de uma pessoa a partir de amostras curtas, podendo fazer parecer que ela disse algo que nunca disse.
Exemplo: golpistas usam clonagem de voz para simular a voz de um familiar em ligação de emergência, pedindo transferência urgente de dinheiro.
Conteúdo sintético
O que é: arquivo (imagem, áudio, vídeo ou texto) produzido por inteligência artificial sem captura do mundo real — sem câmera, microfone nem cena física.
Exemplo: uma foto de "pessoa" gerada pelo Midjourney que não corresponde a ninguém real é conteúdo sintético, mesmo tendo aparência fotográfica.
Contraditório
O que é: princípio processual que garante a cada parte o direito de questionar as provas apresentadas pela outra.
Exemplo: o assistente técnico da defesa apresenta novo laudo com metodologia diferente para contestar as conclusões do perito oficial.
Cópia forense
O que é: reprodução bit-a-bit de um suporte digital, incluindo arquivos apagados e espaço não alocado, com hash que comprova a fidelidade ao original.
Exemplo: a imagem forense de um HD apreendido é usada pelo perito em análise; o original permanece intocado e lacrado.
Deepfake
O que é: vídeo ou áudio sintetizado por IA que substitui ou anima o rosto ou a voz de uma pessoa real em conteúdo existente.
Exemplo: um vídeo que parece mostrar um executivo anunciando demissões, mas foi gerado por IA a partir de gravações reais, é um deepfake.
ELA — Análise de Nível de Erro
O que é: técnica que compara uma imagem JPEG com uma versão recomprimida para detectar regiões com nível de erro inconsistente, indicativo de edição ou montagem.
Exemplo: um rosto colado digitalmente sobre uma foto de documento aparece com nível de erro diferente do fundo no mapa de ELA.
Engenharia social
O que é: manipulação psicológica que explora confiança, urgência ou medo para induzir a vítima a agir contra seu próprio interesse.
Exemplo: golpista liga fingindo ser funcionário do banco e cria urgência de "transação suspeita" para convencer a vítima a transferir dinheiro.
Evidência
O que é: o vestígio após exame técnico que demonstra sua relação com o fato investigado.
Exemplo: a mesma foto, com marcas de edição detectadas nos metadados, torna-se evidência de adulteração.
EXIF
O que é: padrão de metadados embutido em imagens digitais que registra câmera, data, hora e localização GPS da captura.
Exemplo: a foto de uma cena tem no EXIF as coordenadas que localizam o ponto exato onde foi tirada, podendo ser confrontadas com câmeras de segurança.
Golpe do Pix
O que é: fraude que usa urgência, comprovantes falsos ou engenharia social para induzir transferências por Pix sem a transação real existir.
Exemplo: golpista envia comprovante Pix adulterado como prova de pagamento e exige a entrega do produto antes de o dinheiro aparecer na conta.
Hash
O que é: código alfanumérico de tamanho fixo gerado por função matemática que representa o conteúdo de um arquivo. Qualquer alteração gera um hash diferente.
Exemplo: o hash SHA-256 de um contrato PDF é a3f8...d291; trocar uma vírgula produz f7c2...b104, completamente diferente.
Homografia
O que é: ataque que substitui letras de um domínio por caracteres visualmente idênticos de outro alfabeto, criando URLs que parecem legítimas.
Exemplo: pаypal.com com "а" cirílico parece idêntico a paypal.com mas é um site falso — a diferença é invisível a olho nu.
Laudo pericial
O que é: documento técnico produzido pelo perito que descreve o método, os achados e as conclusões do exame forense.
Exemplo: o laudo que atesta que um PDF foi modificado após a assinatura é a prova documental em um processo de fraude contratual.
Manifesto de integridade
O que é: registro documentado com hash, data, hora e identificação do responsável, usado como referência para verificar que um arquivo não foi alterado.
Exemplo: antes de enviar um laudo médico por e-mail, o médico gera o manifesto com hash SHA-256; qualquer versão posterior pode ser comparada a esse registro.
Metadados
O que é: dados armazenados dentro de um arquivo que descrevem como, quando e por quem ele foi criado — invisíveis no conteúdo normal, mas legíveis por ferramenta forense.
Exemplo: a foto tirada com smartphone carrega no EXIF a data, hora e coordenadas GPS da captura, invisíveis na imagem mas recuperáveis na perícia.
Modelo de difusão
O que é: arquitetura de IA generativa que cria imagens partindo de ruído aleatório, removendo-o em etapas guiadas por texto, até formar conteúdo coerente.
Exemplo: Midjourney, DALL-E e Adobe Firefly usam modelos de difusão; a ausência de ruído de sensor na imagem gerada é um de seus marcadores forenses.
Perito
O que é: profissional com curso superior habilitado a realizar exame forense e subscrever laudo técnico com valor em processo judicial ou extrajudicial. Pode ser contratado por qualquer das partes.
Exemplo: um médico contratado pela defesa para revisar um laudo de intoxicação atua como perito — nesse contexto, também chamado de assistente técnico por ser indicado pela parte.
Perito Criminal
O que é: perito concursado com vínculo estatal que atua exclusivamente em investigações criminais por delegação do Estado. Diferente do perito particular, não pode ser contratado pelas partes.
Exemplo: o perito criminal da Polícia Civil é designado para examinar o celular apreendido; a parte não escolhe quem faz esse exame.
Phishing
O que é: ataque que usa mensagens ou páginas falsas para induzir a vítima a entregar credenciais, dados pessoais ou realizar pagamentos.
Exemplo: e-mail com layout idêntico ao do banco pede confirmação de senha via link; o link leva a página falsa que captura as credenciais.
SHA-256
O que é: algoritmo de hash criptográfico que produz uma sequência de 64 caracteres hexadecimais. Padrão atual em perícia digital; nenhuma colisão conhecida.
Exemplo: o comando sha256sum contrato.pdf retorna sempre a mesma sequência de 64 caracteres enquanto o arquivo não for alterado.
Spoofing
O que é: falsificação da identidade em comunicação digital — pode ser de e-mail, número de telefone, endereço IP ou domínio de site.
Exemplo: SMS recebido com o número que parece ser do banco real, mas a mensagem é falsa e o link leva ao site do golpista.
Vestígio
O que é: qualquer elemento material com potencial relação com um fato de interesse jurídico, antes de ser tecnicamente examinado.
Exemplo: uma foto recebida por WhatsApp que pode ter sido adulterada é um vestígio enquanto ninguém a analisar com método.